Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A mentira

Um padre, ao fazer seu sermão costumeiro, anunciou:

- Meus filhos, no próximo domingo falarei sobre a mentira. Para isso gostaria que vocês recordassem o que diz o oitavo mandamento: “Não levantar falso testemunho”, bem como gostaria muito que lessem o capítulo 17 do Evangelho de São Marcos!

Assim, passou-se a semana e chegou o domingo.

No momento da homilia, o padre assim falou:

- A mentira é um problema muito sério e muito atual. O oitavo mandamento da Lei de Deus proíbe que se falem mentiras. A mentira é uma coisa muito feia. Vamos analisar isso à Luz do Evangelho: Quem leu o capítulo 17 do evangelho de São Marcos, como eu pedi no domingo passado?

Todos ergueram a mão, afirmativamente.

Sorrindo maliciosamente, disse o vigário:

- Eu tinha razão ao dizer que a mentira é um problema atual.

E acrescentou marcando bem as palavras: 

- O capítulo 17 não existe no Evangelho de São Marcos.

(Desconheço o autor.)
Foto do site das Paróquias da Sé e S. Vicente

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Flores para Nossa Senhora

Vivia em Paris uma senhora piedosa e muito devota de Maria Santíssima. Era o seu prazer enfeitar a imagem de Nossa Senhora com lindas flores naturais.

Seu marido, homem sem crença, trazia, entretanto, nos sábados, flores para que sua esposa tivesse o prazer de colocá-las diante da imagem da Virgem.

Aconteceu, porém, que o homem morreu repentinamente sem ter tempo de receber os santos Sacramentos. Grande foi a dor da viúva que, conhecendo bem as prescrições da santa religião, temia pela salvação do marido.

Na sua aflição procurou o santo cura d’Ars, João Vianney. Este, recebendo-a, antes de ouvir uma palavra dela disse:

“Minha filha, console-se; a alma do seu marido está salva; Nossa Senhora, recompensando-lhe as flores que oferecia nos sábados, alcançou-lhe a graça de contrição perfeita de maneira que recebeu na última hora o perdão dos seus pecados”.

Oh ! como Maria é boa ! Recompensa divinamente umas poucas flores !

(Texto extraído da revista “O CALVÁRIO”, dos padres passionistas, número 03, de março de 1961 - Ano XL)

domingo, 17 de novembro de 2013

A Princesinha e a Lua

A Lua tem servido de inspiração para os poetas, para os contemplativos, para os que gostam da noite... A noite, com seu silêncio quase completo, nos prepara para meditar, e a Lua realmente toma um sentido muito especial. O que teria a Lua de tão especial para encantar as pessoas? Esse pequeno conto irá mostrar o encanto que a inocência vê na Lua.

Há alguns anos atrás os produtos “made in China”, coloridos, bonitinhos e de preços muito baixo, foram vendidos em grandes quantidades. Depois de um certo tempo veio a decepção: as indústrias brasileiras deixaram de produzir porque não conseguiam competir com o trabalho escravo na China, houve desemprego e queda na qualidade do que se comprava. Além do mais, totalmente descartáveis e de curta duração, os produtos “made in China” tinham um único destino: “quebrou, jogue fora e compre outro”, acabando inclusive com o trabalho artesanal de artistas que viviam dos consertos. Quem conheceu o “Lanifício Santa Branca” e o tecido que lá era produzido, inclusive uma lã de altíssima qualidade, teve que trocar seu hábito comprando roupas de microfibra ou de plástico “made in China”, pois o Lanifício fechou. Que pena! Os meus escapulários todos foram feitos da pura lã do Lanifício Santa Branca. Ainda tenho guardado um pedaço de lã.

Mas nem sempre foi assim. Antes da China ser comunista, havia o Grande Imperador. A China produzia uma seda de altíssima qualidade, disputada mundialmente, muito melhor do que a Seda produzida na Ilha de Java (Seda Javanesa). Também havia na China porcelanas finíssimas, que custavam um bom preço no mercado internacional. As pinturas das porcelanas eram verdadeiras obras de arte. Já ouviram falar nas porcelanas da Dinastia Ming? O Grande Império Ming governou a China do ano de 1368 até 1644. Ainda hoje se encontram essas porcelanas em antiquários especializados: belíssimas.

Nessa época gloriosa da China, quando havia Imperadores, aconteceu um fato que entrou na tradição das histórias transmitidas pelas gerações. Não se sabe a data, nem o nome do Imperador, mas a tradição confirma a existência da princesinha, filha do Grande Imperador, cujo episódio pode ocorrer com todas as crianças do mundo...

A filha do Grande Imperador havia ficado doente. Preocupadíssimo o Grande Imperador mandou primeiramente chamar todos os médicos famosos da China, e depois os médicos estrangeiros. Mas ninguém conseguia diagnosticar aquela doença terrível pela qual passava a doce criança. O tempo passava e ninguém conseguia, ao menos, diagnosticar o que a princesinha realmente tinha.

Sentia-se abatida, se alimentava pouco, andava tristonha e quase sempre ficava deitada no seu quarto. O que poderia ter aquela criança linda e inocente?

O Imperador mandou chamar sábios para estudar a situação, já que os médicos não tiveram êxito. Questionada pelos sábios, a princesinha dizia:

- Eu quero a Lua.

Os sábios fizeram o relato ao Imperador, chegando a conclusão que a princesinha já estava delirando, pedindo algo impossível, era fruto da doença desconhecida.

Passava o tempo e a princesinha continuava abatida com sua doença que lhe dava muita tristeza. O Imperador da China via sua filha nessa situação e se sentia impotente, pois nenhum médico ou sábio adivinhava que doença atingira a princesinha.

Esse fato era notícia por toda a China. Não só o Imperador, mas todo o povo estava entristecido pelo infortúnio da princesinha, tão nova e tão doente. Não se falava de outra coisa senão da preocupação do Imperador e da doença da princesinha que lhe causava muita tristeza. A China inteira definhava.

Mas o que a inocência não cura? Onde os grandes médicos nada puderam fazer, as coisas que os grandes sábios não puderam decifrar, a inocência pode tudo. Vejam o que aconteceu.

Ocorre que um dia, seu irmão mais velho, o principezinho chinês, pediu permissão para entrar no quarto da princesinha para visita-la, como sempre fazia, mas dessa vez entrou vestido com seu traje de guerra com espada e tudo mais.

Sentou-se nos pés da cama da princesinha, olhou bem para sua irmãzinha triste, magra e quieta e lhe perguntou com soberania heróica:

- O que sentes minha irmã? Em que posso lhe aliviar sua dor? Estou disposto a guerrear contra sua doença incurável... E sei que vencerei.

A princesinha olhando bem inocentemente para o seu irmão, disse-lhe:

- Eu tenho uma doença de tristeza. Mas sei que só um remédio iria me curar.

Então o príncipe mais de depressa respondeu:

- Diga logo, minha irmã. Pois como príncipe, não tenho medo de nada e tudo farei para trazer o remédio para você.

Ao que a princesinha disse:

- Sabe o que é? Eu sei, e tenho certeza disso, que se eu receber um presente eu ficarei curada....

- Um presente? – indagou o principezinho, seu irmão mais velho.

Ao que ela respondeu:

- Sim, um presente. Mas me entristeço em saber que tal presente é impossível, como me disseram os conselheiros do Imperador. Por isso sei que minha doença de tristeza é incurável.

- Diga, minha irmã – logo sacando a espada de principezinho – pois nada e ninguém haverão de impedir meu caminho para que eu, com minha coragem, não possa lhe trazer.

Os olhos da princesinha encheram-se de lágrimas:

- Meu heróico irmão, nada podes fazer. Pois eu amo demais a Lua. Ao entardecer eu fico na minha janela vendo aquela Lua, às vezes prateada, às vezes dourada, subindo atrás dos galhos secos dessa velha árvore, tendo por fundo o horizonte azul. Que linda é a Lua. Cheguei à conclusão de que não posso viver sem a Lua. Quero ela para mim. Esse é o presente que eu quero tanto. E todos os conselheiros do Imperador me disseram que isso é impossível.

Foi então que os olhos do irmão se arregalaram:

- A lua? Mas como irei dar-te a lua?

A princesinha suspirou e disse:

- Não disse meu irmão, que minha doença seria incurável?

O principezinho, se despediu da irmã, dizendo que iria pensar sobre o que deveria fazer. Saiu do quarto da princesinha e começou a pensar, a andar, a ficar impaciente e ainda a pensar mais e mais.

Saiu pelas ruas da China em busca de alguma solução para a triste doença de sua irmãzinha.

Numa das ruas tortuosas repletas do comércio chinês, entre sedas, vasos e perfumes, o principezinho parou diante de uma tenda de jóias e viu algo que fizeram seus olhos brilhar. Uma bolinha redondinha, de prata polida, com uma correntinha de por no pescoço, toda trabalhada, muito bem feita. Pensou:

Se eu comprar esse presente, posso dar para minha irmã, e dizer que é a lua, assim ela ficará curada. E assim pensando, assim fez. Mandou colocar o presente numa caixa de madeira bonita, embrulhou com duas tiras de seda colorida e um laço final deu o arremate. Um presente digno de uma princesa.

Pegou o presente, saiu correndo e logo entrou no quarto da princesinha. Sacou a pequena espada de sua cintura e disse:

- Nada me impediria de te trazer a cura. E entregou-lhe o pacote.

A princesinha logo sentou na cama, e rapidamente abriu aquela caixinha tão bonita. Não demorou muito para que o sorriso iluminasse aquele rostinho inocente de criança-princesa. Era a lua que ela tanto queria. Colocou a correntinha no pescoço e disse ao irmão que jamais deixaria de usa-la.

- Viva! Estou curada... estou até com fome...

Porém, um fato espantoso aconteceu. Estava já no entardecer. E o principezinho pensou:

Epa! Está entardecendo. A Lua logo vai nascer. Se eu não fechar a janela do quarto de minha irmã, ela irá ver a Lua verdadeira. Então saberá que foi enganada e que eu cometi uma fraude, e ela voltará a ficar doente.

Então, enquanto a irmã se distraía vendo a pequena lua pendurada no seu pescoço, o principezinho foi bem rápido e disfarçadamente fechar a janela. Mas ao pegar nas portas da janela de madeira, ouviu uns passos e virou para traz. Sua irmã estava atrás dele sorrindo, vendo a lua nascer do lado de fora da janela.

Então o principezinho olhou para ela e olhou para a Lua e ficou preocupado. Mas vendo que ela sorria, lhe perguntou:

- Você está vendo a lua lá fora?

- Sim – respondeu a princesa – eu gosto dela.

- Mas como a lua pode estar lá fora e no seu pescoço ao mesmo tempo? Responda-me isso?

Ao que respondeu inocentemente a princesinha:

- Vocês, gente grande não sabem nada. A lua é como dente de nenê. Quando cai um nasce outro em seu lugar. E continuou sorrindo e contente com o presente, e acima de tudo ficou totalmente curada.

O principezinho ficou aliviado e sorrindo foi contar ao pai todo o ocorrido, inclusive para ele pagar o valor da “compra da lua” que o principezinho mandou colocar na conta do Imperador. E assim o Grande Imperador ficou feliz e toda a China festejou a cura da princesinha.

Autor desconhecido.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O hipócrita

Há muitos anos, numa grande exposição de pinturas, realizada em Londres, um artista apresentou um quadro que lhe deu farta notoriedade.

Quem observasse, de relance, a pintura, tinha impressão de que ela representava um homem de fisionomia serena ajoelhado, tranqüilo, em atitude de prece, as mãos postas e a cabeça baixa.

Aproximando-se, porém, da tela, e procurando distinguir bem os traços do indivíduo, verificava-se, com espanto, que o artista, graças a um artifício inimitável, fixara um homem de rosto irascível, que espremia um limão dentro de um copo. O genial pintor conseguira naquela arrojada fantasia simbolizar o coração do hipócrita.

Na verdade, superficialmente examinado, o hipócrita surge aos nossos olhos como um indivíduo piedoso, os olhos voltados para Deus; mas tudo nele é falso. Quando não finge piedade, outra coisa não faz senão espremer no copo do vício o limão do Pecado.

Os hipócritas não servem a Deus; servem-se, porém, de Deus, para enganar os homens.

O hipócrita é um santo pintado: tem as mãos postas, mas não ora; o livro diante dos olhos, mas não lê.

O pior dos homens é aquele que sendo mau quer passar por bom; sendo infame gaba-se de virtude e pundonor.

A cartilha dos maldizentes foi sempre hipocrisia. O hipócrita, como as abelhas, tem mel nos lábios, mas traz oculto o aguilhão.

Se o mundo despreza o hipócrita, o que pensarão dele no céu?

Devemos, a todo momento, fugir do hipócrita e do falso amigo.

Um falso amigo, semelhante a um homem perverso, é mais perigoso que um fabricante de moeda falsa: este faz mal aos nossos bens de fortuna, aquele expõe-nos a mil desgraças em tudo quanto nos diz respeito. O que encontra um falso amigo cai na maior desgraça, tanto mais lamentável quanto é por nós menos conhecido.

Um sábio da Antiguidade costumava dizer: “Dos meus inimigos defendo-me eu mesmo; porém, dos falsos amigos, só Deus de poderá defender”.

Autor: (D.)
Lendas do Céu e da Terra

domingo, 3 de novembro de 2013

César e o barqueiro

Era no tempo em que Roma não conhecia inimigo temível.

Nas praias do Adriático, em miseráveis tugúrios que o vento açoitava sem piedade, alguns barqueiros endurecidos no rude mister do mar selvagem escondiam sua penosa pobreza longe da opulência dos Césares, senhores da Cidade Eterna.

Um dia, um homem se aproxima deles. Pede um barco, manda que se preparem víveres, promete pagar para que o transportem através do mar. Em vão os barqueiros fazem-no ver que o mar está agitado e a tempestade iminente. O desconhecido quer partir de qualquer modo e de tal sorte insiste e ordena que não se lhe pode recusar, porque traz na voz, no gesto, o que quer que intimida e subjuga.

Embarcam. A noite desce, o vento sopra enfurecido e logo desencadeia infrene temporal. A pequena embarcação é jogada como casca de noz. A cada momento as ondas escancaram-lhe as fauces ameaçando submergi-las. O desconhecido emudece e, envolto em seu longo manto, deixa-se ficar impassível perto de leme, indiferente ao perigo que o ronda.

Por muito tempo os barqueiros remaram e lutaram desesperados contra as vagas. Por fim, o desânimo os avassala e paralisa-lhes os músculos de ferro.

Ao notar que o pavor se apoderava dos tripulantes, o misterioso personagem dirigiu-se a um deles e exclamou com energia:

- Que é isso? Estás com medo? Nada temas, barqueiro! César vai a bordo!

Que extraordinária surpresa para a tripulação! Em verdade, conduziam Júlio César, o grande ditador romano, o famoso conquistador das Gálias.

Desse momento em diante, cessaram seus temores, a esperança renasceu. Tinham fé nesse homem extraordinário e no seu poder invencível; bem sabiam que em diversas ocasiões, sua presença salvara centenas de soldados das mais terríveis situações, e por isso crêem que, com ele, não podem parecer. Inclinam-se com renovada coragem sobre os remos. Mais tarde o vento cede, o mar acalma-se, a noite medonha se dissipa e passa, o dia chega.

É certo que os barqueiros do Adriático não ignoravam a existência de César, e isto não lhes servia de nada em suas aflições. Mas do momento em que sabem que o poderoso rival de Pompeu está com eles no barco, que suas vidas miseráveis estão indissoluvelmente ligadas à preciosa vida dele, a esperança, a certeza da salvação dão-lhes fresco alento. Nada mudou exteriormente; o perigo é mesmo, mas tudo sofreu incrível mudança interior. Foi a confiança que voltou.

Nossa confiança em Deus deve ser firme como a montanha que não pode ser assolada por nenhum vendaval.

Ainda que tudo te pareça perdido, conserva tua confiança em Deus, que Ele te salvará.

Todo aquele que confia em Deus, sem temor, enfrenta a vida.

Eis a sentença admirável de São Paulo:

“Tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Ó Deus, nosso refúgio e amparo, que és o autor de toda a piedade; sê pronto; concede as coisas que pedimos com fé, por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Autor: (D.)
Fonte: Lendas do Céu e da Terra
Foto retirada da internet.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Quase morreu, se o anjo não a salvasse

Desde muitos anos eu tenho uma devoção aos Santos Anjos e em especial a São Miguel Arcanjo. Já li muitas histórias a respeito desses mensageiros de Deus. Esses maravilhosos seres angélicos acompanham os homens, vêem a movimentação da terra, e se entristecem quando o homem é ingrato a Deus.

Não tenho o hábito de ler revistas, mas às vezes leio algumas. Recentemente veio parar em minhas mãos a notícia de uma revista que há muito tempo eu não via: "Família Cristã". Entre as matérias que eu pude ver, uma me chamou a atenção de forma especial. Transcrevo parte da reportagem:

[...]
Era por volta das 18 horas do dia 10 de janeiro de 2011 quando a analista de Recursos Humanos Aline Alves estava parada para atravessar a rua, na esquina entre as ruas 24 de Maio e Barão do Bom Retiro, no bairro do Engenho Novo, Rio de Janeiro (RJ), até que aconteceu algo inesperado.

“Estava parada a poucos metros do semáforo, quando veio uma senhorinha na minha direção e perguntou se eu poderia ajudá-la a atravessá-la na faixa de pedestres. A princípio hesitei, porque eu não queria caminhar até a faixa e, como a mulher andava com dificuldade, isso me atrasaria. Mas acabei cedendo. Enquanto esperávamos o sinal fechar, um ônibus não conseguiu fazer a curva e subiu a calçada no exato lugar onde eu estava parada antes”, relata a jovem, que se emociona só de lembrar.

“Comecei a tremer vendo a cena e me esqueci da velhinha. Até hoje não sei pra que lado que ela foi. Já voltei várias vezes ao lugar, atrás dela, perguntei a algumas pessoas, mas ninguém diz ter visto uma pessoa com as descrições que dei. A única coisa que sei é que se não fosse aquele santo anjo eu teria sido atropelada ou até mesmo morta com o tamanho do acidente”, completou.
[...]

Família Cristã 921 - Set/2012
Inserido por: Família Cristã
Fonte: Revista Família Cristã Data de publicação: 02/10/2013
http://www.paulinas.org.br/familia-crista/pt-br/?system=news&action=read&id=5103

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A luz da candeia

Ensinava o santo abade João a um velho monge, mas este, pouco favorecido pela memória, depressa lhe esquecia as lições. Receoso, entretanto, de enfadar o santo com repetidas perguntas, não ousava buscar novos esclarecimentos para as suas dúvidas.

Um dia o bondoso abade, dando tento da timidez e da delicadeza exagerada do monge, ordenou-lhe que acendesse uma candeia e, com esta, uma outra; e logo lhe perguntou:

- Essa candeia, que acendeu a outra, perdeu alguma coisa de seu brilho ou ficou desmerecida em seu lume?

Respondeu o discípulo:

- Não, padre.

Tornou o santo:

- Pois venham a mim centenas de discípulos com mil perguntas e não perderei a menor parcela da luz da caridade divina.

Aparecestes, luz divina, àquele que estava como em trevas de pecados; aparecei, também, a meu espírito quando leio e medito vossa palavra na Sagrada Escritura. Ó luz divina que nunca escureceis, ó resplendor celeste que nunca tendes treva, ó dia formoso que nunca anoiteceis, ó sol rutilante que não tendes ocaso, caminhai com vossa formosura e entrai nesta alma que está desejosa de vossa claridade; enchei-a de vosso clarão divino para que em vós entenda a verdade, por vós a pratique, e goze de vós que sois a eterna verdade.

Favorecei-nos, misericordioso Deus, na nossa salvação, com o Vosso auxílio, a fim de que meditemos agradecidos nos portentosos eventos pelos quais nos outorgastes vidas e imortalidade. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor, Amém.

Autor: (D.) – Lendas do Céu e da Terra

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Os Sermões

Uma das coisas que eu gostei muito, foi o fato de ter lido boa parte dos Sermões do Padre Antonio Vieira. E um em especial me chamou a atenção: o sermão da sexagésima.

Transcrevo parte desse sermão:

Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. 

Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos: há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há-de concorrer Deus com a graça, alumiando. 

Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. 

Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. 

Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, e necessária luz e é necessário espelho. 

O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. 

Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?

Padre Antonio Vieira – Sermão da Sexagésima

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O orgulhoso

Jamais pensei que eu fosse presenciar semelhante cena. E me impressionei tanto que faço destas poucas palavras minha postagem de hoje.

Entre os pecados que mais afasta as pessoas de Deus é o orgulho. Quando a pessoa é humilde e peca, fica fácil dobrar os joelhos e pedir perdão, mas quando o pecador é orgulhoso não admite reprimenda. 

O orgulhoso causa escândalo e pouco se importa, porque está cego no seu orgulho.

Pior do que isso, é que o orgulhoso reúne em torno de si todos os outros que também são maus, porque os semelhantes se atraem.

Lembrei-me do Livro do Eclesiástico:

“Não há nenhuma cura para a assembléia dos soberbos, pois sem que o saibam, o caule do pecado se enraíza neles.” (Bíblia Sagrada – Livro do Eclesiástico, capítulo 3, versículo 30)

domingo, 18 de agosto de 2013

Alma verdadeiramente cristã

As pessoas bem-dotadas procuram todas as oportunidades para agradar e servir a seus semelhantes.

Se um presente enviam a um amigo, é um livro que inspira e anima. Se conversam com uma criança, é para dizer-lhe algo que a eleve e nobilite.

Se lhes cabe dirigir uma palavra a um doente, essa palavra é de encorajamento e conforto.

Se narram um caso, ou relembram um episódio, é certo que a narrativa feita tem por objetivo exaltar uma boa ação, elogiar alguém, ou desfazer errôneas e malévolas interpretações.

A carta que escrevem é uma mensagem de amor e inspiração. Se parcelas de tempo restam aqui e ali, entre os deveres regulares do dia, são gastas no desenvolvimento de um melhor serviço ou em visitas e trabalhos de assistência. Nenhum lapso de tempo é dissipado, nenhuma palavra gasta inutilmente. Tudo é para a glória de Deus.

Aqueles que assim procedem demonstram possuir a alma verdadeiramente cristã.

Autor: (D.)
Fonte: Lendas do Céu e da Terra

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Impiedade castigada - D’Alembert

No palácio da princesa de Lorena havia freqüentes reuniões compostas geralmente de pessoas que se distinguiam pelo saber, por suas virtudes, ou pelo prestígio das posições elevadas que desfrutavam.

Lá foi ter, um dia, o célebre matemático D’Alembert, homem sem crença religiosa, amigo íntimo de Voltaire. Professando as mesmas péssimas doutrinas desse filósofo, desejava propaga-las entre as pessoas mais importantes, e, quando o salão da ilustre princesa se apresentava repleto de convidados, o impiedoso homem vangloriou-se, publicamente, das suas opiniões irreligiosas, dizendo:

- Sou eu o único, neste palácio, que não crê em Deus e por isso não o adora!

Justamente revoltada com essas irreverentes palavras, a princesa de Lorena replicou-lhe com desassombro:

- Engana-se, sr. d’Alembert. O senhor não é o único que, neste palácio, não crê em Deus, nem o adora.

- Julgava-me sozinho e tenho companheiros – replicou o ateu. – Quem são os outros, senhora princesa?

- São todos os cavalos e cães, que estão nas cavalariças e pátios desse palácio.

- Assim me iguala aos irracionais? – tornou D’Alembert com indisfarçável ironia.

- De modo algum – discordou a inteligente princesa. – Bem sei que os irracionais, embora tenham a desgraça de não conhecer nem adorar o Ser Supremo, não têm, todavia, a imprudência de vangloriar-se disso.

As palavras irrespondíveis da princesa de Lorena deixaram o vaidoso incrédulo confuso e humilhado.

Triste, profundamente triste e deplorável, é, no mundo, a situação do ateu. É como um saltimbanco que faz exercícios incríveis na corda; salta e dança suspenso no vácuo; gira de cabeça para baixo no trapézio; exibe, enfim, ao público, proezas tremendas, mas ninguém fica com vontade de imitá-los.

O ateu, na obsessão em que vive, procura convencer os outros para se persuadir a si próprio.

Quem pode negar Deus diante do céu estrelado ou diante da sepultura de um ente querido é muitíssimo infeliz ou muitíssimo culpado.
(D.)

Fonte: Lendas do Céu e da Terra.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Muito dinheiro – a grande tentação

Deus não condenou as riquezas, mas o mau uso delas. Sendo o homem criado para viver em sociedade é eminentemente um ser influenciante e influenciável, tudo o que está em sua volta o influencia. Por isso dificilmente a riqueza não interferirá em sua personalidade. Pode ser boa influencia, pode ser má influencia.

É difícil alguém se privar de algo por não poder comprar. No entanto, é muito mais difícil ter muito dinheiro e se privar de algo por mera disposição de sua vontade, porque a vontade quer ter aquilo e não se privar. Logo, se deduz que a riqueza pede maiores sacrifícios para a prática das virtudes.

Por isso consta no Santo Evangelho: “Jesus disse aos seus discípulos: Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus! Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.” (São Mateus 19, 23-24)

O que acontece é que o dinheiro acaba corrompendo a pessoa que se deixa dominar pelos deleites da vida. Avareza, vaidade, luxúria... Tudo se torna fácil para quem pode comprar tudo.

Já ouvi muitos dizerem que não precisam de Deus por que tem dinheiro e podem comprar tudo o que quiserem.

Também já vi pessoas com muito dinheiro se negarem à caridade cristã, deixando os que estavam sob sua guarda e proteção passarem sérias necessidades. Isso porque somente se preocupam consigo mesmos. Deus os julgará com rigor, porque pecaram contra a maior de todas as virtudes que é a caridade cristã (Epístola: I Corintios, 13, 13). Pois ter fé sem praticar as boas obras, nada vale. Os demônios têm fé, pois viram a Deus, mas estão no inferno. A Fé sem as boas obras é morta (Epístola de São Tiago, Capitulo 2, versículos de 17 até 19)

Também já vi casais brigarem por causa de dinheiro, e ao invés de se ajudarem mutuamente nas dificuldades preferem a discórdia.

É muito comum ler nos jornais, notícias de corrupção, desvio de dinheiro... Homens que ocupam grandes cargos na sociedade estarem envolvidos em escândalos, por dinheiro. Tudo tem um preço, tudo pode ser comprado... é o que dizem.

Mas eu seria injusto de não falasse que também já vi caridade cristã em vários homens de muito dinheiro. Ajudaram os mais pobres, ajudaram os necessitados, ajudaram instituições.

Já vi pessoas dando alimentação para os pobres, dando roupas quentes a quem tem frio e dando brinquedos no Natal para as crianças.

Conheço pessoas que com seu dinheiro ajudaram a construir ou reformar igrejas, e conheço outras que preferiram construir casas de perdição.

Conheci de perto a ambição ardente de certas pessoas... e conversei com avarentos incorrigíveis.

Conheci algumas pessoas caridosas e que, por amor ao próximo, chegaram a partilhar o que nem podiam partilhar...

Assim vai o mundo....

Maior do que a tentação sensual é a tentação do dinheiro.

Apesar do mundo estar encharcado até o pescoço do pecado contra o 6° mandamento, o dinheiro ainda continua sendo a pior tentação que um homem pode ter.

Muita gente não se vende pelo sexo, mas poderia entregar sua alma para ter dinheiro...

Termino aqui com uma citação do Apocalipse (capítulo 3, versículos 14-21):

Ao anjo da igreja de Laodicéia, escreve: Eis o que diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus.

Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!

Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.

Pois dizes: Sou rico, faço bons negócios, de nada necessito - e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu.

Aconselho-te que compres de mim ouro provado ao fogo, para ficares rico;roupas alvas para te vestires, a fim de que não apareça a vergonha de tua nudez; e um colírio para ungir os olhos, de modo que possas ver claro.

Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te.

Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo. Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.

Colaboração: Blog Vandeanos da Fé.

sábado, 29 de junho de 2013

A Luz de Deus

À tardinha, quando desce a noite, vêem–se os cumes azulados das montanhas receber e guardar, por muito tempo, o manto dos grandes raios rosados que lhes deixa o sol poente. E tudo, em derredor, se ilumina em deliciosa claridade.

Também, nas trevas desta vida, quando uma alma piedosa se aproxima de Deus, acende-se na Sua bondade a mais bela das luzes, cujos adoráveis reflexos vão, em seguida, incidir em tudo que é doloroso.

Reanimam os enregelados, comunicando aos perdidos na escuridão da noite as celestes iluminações que lhes restituirão a alegria com a promessa da bem-aventurança.

Derramai, Senhor, derramai sobre mim a Vossa graça; orvalhai o meu coração com o orvalho celeste; dai-me as águas da devoção para regar a face da terra, para que produza fruto bom.

Elevai, Senhor, elevai meu espírito oprimido pelo peso dos pecados, e atraí todo o meu desejo para as coisas celestes, de sorte que, provada a suave felicidade do céu, me envergonhe de pensar nas terrenas.

Autor (D.) - Lendas do Céu e da Terra

terça-feira, 18 de junho de 2013

O bom vizinho e o mau vizinho - Obras de Misericórdia

As pessoas são julgadas pelos seus atos, não só por sua fé. De que adianta ter fé e jamais ter ajudado seu semelhante? Dirão deste: “Sua fé é falsa”.

No entanto, quando alguém está sempre pronto para ajudar o próximo, as pessoas dizem dele: “este, certamente, é um homem de Deus”.

Notei isso recentemente numa rua próximo de minha casa. Moram, naquela rua, duas pessoas muito religiosas. Uma delas nunca fez nada de bom para ninguém, a outra está sempre ajudando a todos. O primeiro é tido como orgulhoso, o segundo como humilde. Quando precisar de alguma coisa, é só bater naquela casa que o morador lhe ajudará – é o que dizem os vizinhos. Este é respeitado por todos e, com seu exemplo, arrasta muitos para a prática da virtude.

Ter fé é importante? Claro que sim. Mas a fé sem as boas obras é morta.

Leiamos o que consta na Epístola de São Tiago, Capitulo 2, versículos de 17 até 19:

Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma.
Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem.

Então de nada adianta ter apenas fé, sem que se pratique boas obras. Não é só pela nossa fé, mas  também pelas nossas obras que seremos julgados por Deus.

Vejamos o que consta no Catecismo de São Pio X:

937) Quais são as boas obras de que se nos pedirá conta particular no dia do Juízo?

As boas obras de que se nos pedirá conta particular no dia do Juízo são as obras de misericórdia.

938) Que se entende por obra de misericórdia?

Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais.

939) Quantas são as obras de misericórdia?

As obras de misericórdia são catorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem.

940) Quais são as obras de misericórdia corporais?

As obras de misericórdia corporais são:

1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

941) Quais são as obras de misericórdia espirituais?

As obras de misericórdia espirituais são:

1ª Dar bom conselho;
2º Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. “Das obras de misericórdia”)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Humildade e pobreza do Arcebispo



A cidade preparava-se para receber o novo arcebispo, Dom Norberto. Entrementes era aquela azáfama no palácio arquiepiscopal. Homens e mulheres corriam de cá para lá, arrumando a casa para a recepção.

Seu Godofredo, porteiro e mordomo do palácio, já estava perdendo as estribeiras, de tanto nervosismo. Os intrusos e curiosos não lhe davam sossego. Ocupado em preparar a chegada do novo arcebispo, volta-e-meia tinha de interromper o trabalho para tocar os moleques do pátio:

— Se eu pegar vocês de novo, sou capaz de torcer seu pescoço.

Nisto os sinos da catedral e das igrejas começaram a bimbalhar festivos, anunciando que o cortejo vinha chegando. O povo se acotovelava na praça. Os mais afoitos subiam nos muros do jardim, desafiando a vigilância dos guardas.

Estes procuravam, a duras penas, manter ao menos um corredor livre na praça, enquanto Godofredo vigiava a porta principal do palácio.

O cortejo vem vindo. Bispos, cônegos, monsenhores e outros muitos dignitários eclesiásticos, com suas vestes coloridas e reluzentes, atravessam a multidão, rumo ao portão do palácio.Todo o mundo erguia os olhos e punha-se nas pontas dos pés a fim de ver e conhecer o novo arcebispo. Mas ele não aparecia nunca. Todos se perguntavam: Você viu? Eu não vi ainda.

Eis que, de repente, aparece um homem alto e magro, abrindo caminho por entre a multidão que, meio frustrada, já estava invadindo o corredor. Ele vestia uma túnica toda remendada, e... estava descalço. Quis entrar também. Mas o velho porteiro barrou-lhe a entrada:

— Fora daqui. Eu já disse que aqui não passa ninguém, a não ser o pessoal do cortejo.

Um sorriso calmo iluminou o semblante daquele homem, que disse:

— Nem por isso você vai impedir-me a entrada. Eu sou o novo arcebispo.

O porteiro perdeu a fala, de tanto desapontamento e espanto. Quem estava chegando, era o próprio Dom Norberto que vinha tomar posse em Magdeburgo. Foi canonizado: hoje é São Norberto.

(Fonte: Pe. Guilherme Hünermann - São Norberto (+1134) — fundador dos Premonstratenses. Festa: 6 de junho)

Fonte: Boletim do Padre Pelágio.

domingo, 2 de junho de 2013

Vigiai! Não sabeis nem o dia e nem a hora!

Terrível momento é aquele que não desejamos. O último minuto de vida nesta terra. Poderei morrer e Deus me julgará! Posso pensar que tenho saúde, força, pouca idade, e sei lá quantas coisas se pode pensar para justificar ter um pouco mais de vida nesta terra. No entanto, há idade certa para morrer? Um acidente, um ataque cardíaco, uma bala perdida, um assalto... motivos não faltam para se crer que viver é um milagre. Devemos viver amigos de Deus. Pecar, jamais! Virtude, sempre! Ó vós que estais empedernidos, tendes o coração duro como uma pedra, penseis que podeis enganar a todos e esconder vossos pecados... Não vos iludais! Deus tudo vê e te julgará na vossa farsa orgulhosa. Sabeis que seu pecado é o brado de Lúcifer: “Non serviam”. És pior do que Lúcifer, pois finges que é bom, mas és um poço de orgulho.

Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora. (São Mateus, 25,13)

No ano de 1880, na Suíça, aconteceu um fato maravilhoso: um pároco ouviu de noite uma voz que o chamava e dizia:

- Vá logo a tal ponto das montanhas da Suíça, para levar a Comunhão a um homem que vai morrer.

O pároco se levantou, tomou o Santíssimo Sacramento, montou a cavalo e partiu, acompanhado pelo sacristão. Ao despontar da aurora chegou ao lugar indicado, e vendo um velho lenhador lhe perguntou:

- Há algum enfermo na sua família?

- Que eu saiba, nenhum, graças a Deus.

E mandou perguntar pelas casas de campo mais próximas, mas nenhum enfermo apareceu.


Não sabendo o sacerdote explicar o que acontecera, determinou voltar para sua paróquia, mas o velho lenhador lhe disse:

- Senhor Padre, já que vós levais o Santíssimo Sacramento e eu não posso, por causa de minha velhice, ir à igreja tão distante, descansai um pouco, depois ouvi-me em confissão, e em seguida dai-me a Comunhão.

- Muito bem, respondeu o padre, e satisfez os desejos do velho.

Pôs-se depois em marcha, e mal se havia afastado duzentos passos, foi chamado aos gritos por um jovem:

- Senhor Padre! Senhor Padre! Vinde rápido que meu pai teve um ataque.

Com efeito, o sacerdote acorreu e encontrou o velho já em agonia, mas com o rosto alegre e sereno. E, ao ver o sacerdote, lhe disse:

- Foi meu Anjo da Guarda que vos enviou. Foi por minha causa que fostes ontem chamado. Eu estava perto da morte e não o sabia. Sempre tive especial devoção ao Santíssimo Sacramento, e como temia ser vítima de um ataque, um dia roguei ao Senhor que não me deixasse morrer sem receber o santo Viático. Bendito seja Deus, que me ouviu!

Pouco depois de ditas estas palavras, com os sentimentos da mais acendrada piedade e com a paz do justo, o velho lenhador, assistido por seu próprio pároco, entregou a alma a Deus.

(Pe. Pedro Laurenti S.J., Le Meraviglie del SS. Sacramento)

(Milagres Eucaristicos – Padre Manuel Traval Y Roset S.J. – Editora Artpress)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O respeito humano


Apesar da palavra respeito parecer significar apenas não ofender ninguém, ela tem um sentido muito mais amplo. Respeitar é algo que dirige as normas de agir de uma pessoa. No mundo religioso, ter RESPEITO HUMANO significa ter vergonha. Quando alguém tem vergonha de rezar em público, por exemplo, diz-se que a pessoa tem respeito humano.

Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória, na glória de seu Pai e dos santos anjos. (São Lucas, 9,26)

Vamos a história de hoje:

O RESPEITO HUMANO

Um jovem estudante, passeando, uma noite, pelas ruas de Paris, entrou por acaso numa igreja. Não era incrédulo, nem tampouco fervoroso. De pé, sem ter a intenção de rezar, distraía-se em observar os que se achavam no templo: mulheres, meninas, alguns trabalhadores e meia dúzia de soldados vindos, hora antes, das aldeias mais próximas.

De repente viu, do outro lado, um homem ajoelhado em atitude reverente.

“Eis ali um religioso”, que parece ser pessoa de tratamento e elevada distinção. Como teria vindo parar aqui, a rezar com este povo? Vamos observá-lo de mais perto.”

O jovem encaminhou-se discretamente para lá e aproximou-se do homem que orava.

- É incrível! – exclamou-se, tomado de vivo espanto. – É o professor Ampère!

Era ele realmente, o maior gênio da Escola Politécnica de Paris, o fundador da eletricidade dinâmica, André Marie Ampère, que ali, humilde como uma criança, estava orando aos pés do altar.

- Se um homem notável como este – disse o estudante -, o maior sábio do mundo, não se sente diminuído ou envergonhado ao demonstrar a grandeza de sua fé, não vejo mais motivo algum para conservar o meu espírito envenenado pelo respeito humano!

Desse dia em diante, o rapazinho alterou, por completo, o rumo de sua vida. Passou a freqüentar a igreja e a orar com devoção junto aos altares.

Esse estudante, que a exemplo do sábio levara ao caminho da salvação, veio a ser o grande Francisco Ozanam.
Ozanam vencera, para sempre, o respeito humano que dominava o seu coração de jovem.

Entre as numerosas cadeias com as quais o espírito das trevas retrai as almas de bem, e as retém no caminho da culpa, jamais se encontrará uma tão pesada como o é o respeito humano.

Por estas palavras, respeito humano, entendem os teólogos o crime daquele que cora de Deus; que não ousa manifestar os seus sentimentos religiosos, porque essa manifestação lhe atrairia os motejos dos ímpios e dos indiferentes.

O respeito humano é um sentimento ignóbil e cobarde, que nos faz renegar o bem pelo mal, a verdade pelo erro, a consciência e a religião pelas máximas do século, com o fim de agradar aos homens e conciliar-lhes a estima.

Autor: (D.) – Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan

NOTA DO BLOG: Ampère é uma unidade de medida da intensidade elétrica. A sua biografia encontramos na wikipédia:
André-Marie Ampère nasceu no ano de 1775 em Lyon (França), foi professor na École Polytechnique de Paris. Em 1814 foi eleito membro da Académie des Sciences. Ocupou-se com vários ramos do conhecimento humano, deixando obras de importância, principalmente no domínio da física e da matemática. Partindo das experiências feitas pelo dinamarquês Hans Christian Oersted sobre o efeito magnético da corrente elétrica, soube estruturar e criar a teoria que possibilitou a construção de um grande número de aparelhos eletromagnéticos. Além disso descobriu as leis que regem as atrações e repulsões das correntes elétricas entre si. Foi físico, filósofo, cientista e matemático francês. Em sua homenagem, foi dado o nome de ampère (símbolo: A) à unidade de medida da intensidade de corrente elétrica.

Foto e Biografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9-Marie_Amp%C3%A8re

domingo, 12 de maio de 2013

O milagre e a pérola

Uma das maravilhas que Deus criou foi o Mar. Achar uma praia deserta, ainda repleta de vegetação, com rochas e areia branca... que maravilha! Caminhar lentamente ao longo do mar, observando toda essa natureza, com o vento soprando entre as folhas e as ondas, de vez em quando encontrar alguma estrela de mar, ou alguma concha ou mesmo algum caramujo ou um pequeno peixe que se aproximam da praia, trazidos pela onda... que maravilha!

Numa humilde cidade litorânea, vivia um povoado muito harmônico. As casas, pequenas mas feitas com bom gosto, ruas de terra misturadas com areia, crianças correndo atrás de pássaros, rindo, outras sentadas no chão se ocupando com brinquedos de madeira, certamente feitos pelos seus pais, as meninas carregando suas bonecas de pano costuradas pelas próprias mães com roupinhas, sapatinhos e até chapéus. À noite, o sossego do recolhimento, as estrêlas brilhantes no céu, as casas iluminadas à lamparinas, e o murmurar das ondas do mar. Nada poderia ser mais perfeito.

Justamente naquela cidadezinha, uma casa mais próxima das rochas litorâneas ainda mantinha a luz da lamparina acesa, enquanto o restante da aldeia já estava apenas ao brilho do luar. Quem se aproximasse da porta daquela casa ouvia o som de uma família reunida rezando fervorosamente. Percebia-se logo que alguém estava doente e de cama. Nas preces a Mãe de vez em quando pedia: “Senhora Mãe de Deus, ajudai-nos, curai meu marido, e dai-nos o sustento porque necessitamos.”

O que teria acontecido? Para entender é preciso voltar no tempo e contar a história desde o início.

Aquela família era composta de cinco pessoas: Pai, Mãe e três filhos. O filho mais velho tinha sete anos e já freqüentava a igreja local para as aulas de catecismo.

O pai era um hábil mergulhador e sustentava sua família com a venda das ostras e pérolas que colhia nas rochas do mar. As ostras também são conhecidas por madrepérolas (Perola-Mãe), porque elas é que produzem as pérolas. O interior de suas conchas rústicas é todo revestido por uma camada fina da mesma substancia da pérola. Normalmente essas conchas ficam incrustadas nas rochas submersas no mar, sendo necessário um bom canivete para retirá-las. Essas rochas submersas não contêm apenas as ostras, mas uma cadeia alimentar muito grande: é morada de muitos seres vivos, como outros moluscos que conhecemos como marisco de casca preta ou mexilhões, algas marinhas e outros seres de pequeno porte desde micro elementos até caranguejos e siris. Isso atrai a atenção dos peixes que vão nessas rochas tirar seus alimentos também.

Num desses dias rotineiros, estava o Pai mergulhado nas águas do mar, procurando em rochas mais profundas uma madrepérola que fosse um pouco maior do que as que habitualmente costumava encontrar. De repente, olhou para frente e viu uma arraia grande se aproximando. Acostumado com os habitantes do mar, a princípio ele não se incomodou, mesmo assim teve a cautela de ficar atrás da rocha. Mas parecia que aquela arraia não estava nos seus melhores dias, mostrando-se muito irritada. Não demorou muito para que investisse contra o mergulhador, dando-lhe uma ferroada com sua cauda de ferrão venenoso, no joelho da perna esquerda causando-lhe muita dor.

Com sacrifício conseguiu emergir e, se agarrando nas pedras, saiu do mar, caminhando com sofreguidão até sua casa. Deitado em sua cama e sem recursos para pagar um médico, a perna acabou infeccionando, tornando-o imprestável para outro mergulho ou mesmo caminhar normalmente. Com isso, não poderia mais sustentar sua família e começaram a passar necessidades.

A família se reunia toda a noite ao redor da cama do Pai, e rezavam juntos pedindo as graças de Nossa Senhora. O filho mais velho de sete anos, que estudava catecismo e que gostava muito de ouvir histórias sobre os milagres de Nossa Senhora, ficava pensando: “Nossa Senhora já atendeu muita gente, no entanto meu pai ainda não foi atendido. Acho que precisamos ir lá na igreja pedir diretamente para Ela.”

No dia seguinte, bem cedinho, foi tentar convencer seu pai a sair da cama e levar ele lá na Igreja, fazer o pedido de cura aos pés da Virgem Imaculada.

- Meu filho, eu não posso andar, veja as condições em que está minha perna. Nossa Senhora nos ouve quando rezamos, não precisamos ir lá. - dizia o pai.

Cheio de fé, inocente, o pequeno insistia:

- Meu pai, temos que ir visitar Nossa Senhora, eu lhe ajudarei a caminhar. Eu prometo que falarei com Nossa Senhora sobre o senhor.

O pai vendo os olhos do filho marejados de lágrimas, tanta inocência brilhando no seu rosto e um sorriso irrecusável, não teve outra alternativa senão a de se apoiar num bastão e vagarosamente caminhar até a igreja.

Chegando lá, os olhos de ambos se voltaram ao alto, em busca do olhar misericordioso e cheio de bondade da Virgem Imaculada. Foi quando o menino, cheio de fé, aconselhou o pai:

- Faça uma promessa, Nossa Senhora o atenderá.

O pai sorrindo, e vendo tanta fé nas palavras de seu filho, pediu à Mãe de Deus que se o curasse a ponto dele poder voltar a mergulhar, a primeira perola que ele encontrasse, daria a Nossa Senhora. Depois de terem rezado, voltaram com sofreguidão para o descanso do lar.

O milagre veio. Sua perna foi desinchando e a coloração escura da perna, foi voltando ao normal. Já podia dobrar o joelho, e as dores iam diminuindo significativamente. Ao cabo de mais algum curto tempo, milagrosamente estava curado.

Nem é preciso descrever o contentamento de toda a família pelo ocorrido.

Bom, agora era a hora de cumprir a promessa. O pai voltaria a mergulhar e a primeira pérola encontrada deveria ser de Nossa Senhora. E assim se fez.

Num daqueles dias ensolarados, o pai mergulhou. A alegria de estar podendo se movimentar fez com que ele procurasse uma madrepérola especial para Nossa Senhora. Assim ocorreu. Atrás de uma rocha submersa havia uma grande surpresa. Uma madrepérola muito grande. Rapidamente usou sua habilidade e logo a retirou de seu lugar nativo. Emergindo, foi para praia e tratou de abrir cuidadosamente a concha rústica. Seus olhos brilharam muito quando se deparou com uma pérola enorme. Só estranhou que a pérola não tivesse a forma perfeitamente redonda – coisa pouco comum. Mas mesmo assim uma pérola daquele tamanho deveria valer uma fortuna.

Agora, o grande dilema: Fico com a pérola e fico rico, ou cumpro a promessa de dou a pérola para Nossa Senhora?

Terrível indecisão. Perturbadora hesitação.

Depois de refletir sobre o assunto, baixou a cabeça, e disse para si mesmo: “Obrigado, Senhora, pelas graças que me destes, pelos benefícios que me concedestes, pelos sofrimentos dos quais me livrastes. Esta jóia Lhe pertence, com toda a certeza.”

Chegando em casa, mostrou a todos os seus o que tinha achado, quando o seu filho notou que a pérola “amassada” tinha o mesmo formato do joelho do seu pai que havia sido golpeado pela arraia.

E era a verdade. Era a réplica perfeita do joelho do pai. Estava confirmado o milagre. Foram à Igreja doar a pérola para Nossa Senhora, que certamente ficaria aos cuidados do padre local, relatando-lhe os detalhes dessa maravilhosa história.

Durante muito tempo essa jóia ficou exposta na Igreja, com uma placa indicativa de sua história. Depois acabou sumindo e não se sabe onde está.

(Esta história foi recontada, mas baseada em fatos reais. Desconheço o autor que relatou o fato original)

Fotos da internet, desconheço o autor.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Os hábitos e os pecados ou vícios capitais

Enquanto a prática constante de atos bons, traz à pessoa a virtude estável; a prática reiterada de atos ruins faz o pecado ser um hábito constante. Difícil será deixar de pecar enquanto não combater os maus hábitos e insistir na prática constante das virtudes.

Não basta se confessar, para deixar de pecar. É preciso criar o hábito de praticar virtudes, pois a virtude transformada em hábito, e com o auxilio da graça, transformará o pecador numa pessoa virtuosa muito mais facilmente.

Muitas pessoas confessam-se sempre, mas não deixam de pecar porque não mudam seus péssimos hábitos. A pessoa deve sempre fugir do pecado, e das ocasiões próximas de pecado também (situações que podem levar ao pecado). É preciso rezar muito e criar o hábito de se ter uma vida virtuosamente saudável.

Muitas vezes quando se leva um tombo e se quebra o braço, a primeira coisa que a pessoa pensa é cuidar bem do braço, mas não dá atenção ao arranhão na perna. O braço pode ficar curado, mas o arranhão pode infeccionar e causar um transtorno para a perna maior do que o ocorrido com o braço. Assim é a vida do cristão. Aquele que combate apenas os grandes pecados, mas se esquece dos pequenos, pode ter os pequenos vícios transformados em hábito de vida e, por conseqüência, volta a pecar gravemente.

Vejamos o que diz o Catecismo Católico de São Pio X:

O vício é uma disposição má da alma que leva-a a fugir do bem e a fazer o mal, causada pela freqüente repetição dos atos maus.

Entre pecado e vício há esta diferença: que o pecado é um ato que passa, enquanto o vício é o mau hábito contraído de cair em algum pecado.

Os vícios que se chamam capitais são sete:

1º SOBERBA: manifestação de orgulho e arrogância.

2º AVAREZA: apego ao dinheiro de forma exagerada, desejo de adquirir bens materiais e de acumular riquezas.

3º LUXÚRIA: apego e valorização extrema aos prazeres carnais, à sensualidade e sexualidade; desrespeito aos costumes; lascívia.

4º IRA: raiva injusta ou desmedida contra alguém, vontade de vingança.

5º GULA: comer somente por prazer, em quantidade superior àquela necessária para o corpo humano.

6º VAIDADE: preocupação excessiva com o aspecto físico para conquistar a admiração dos outros.

7º PREGUIÇA: negligência ou falta de vontade para o trabalho ou atividades importantes.

Os vícios ou pecados capitais vencem-se com a prática das virtudes opostas. Assim, a SOBERBA vence-se com a HUMILDADE; a AVAREZA, com a liberalidade e CARIDADE; a LUXÚRIA, com a CASTIDADE; a IRA, com a PACIÊNCIA; a GULA, com a TEMPERANÇA; a VAIDADE, com a MODÉSTIA; a PREGUIÇA, com a DILIGÊNCIA E FERVOR no serviço de Deus.

Chamam-se capitais estes vícios, porque são a fonte e a causa de muitos outros vícios e pecados.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Os senhores do patriarca

Logo que São João Esmoler tomou posse, e se assentou na cadeira do patriarca de Alexandria, chamou os seus mordomos e lhes disse:

- Não é justo tenhamos cuidado de alguém primeiro de que Cristo; ide pela cidade, colhei informações e organizai uma lista de todos os meus senhores.

Essa ordem surpreendeu aos auxiliares do ilustre prelado, pois ninguém sabia quais eram os senhores do patriarca.
Respondeu o santo:

- São os pobres, porque eles me podem dar entrada no Reino dos Céus.

Uma semana depois preparou-se São João Esmoler, como fazia todos os dias, para receber as súplicas e remediar as queixas dos miseráveis e necessitados. Passaram-se várias horas e chegou a noite sem que ninguém o procurasse. Pôs-se o santo muito triste e pensativo, e, interrogado por um de seus íntimos, explicou:

- Hoje a ninguém fiz bem, nem pude oferecer, em desconto de meus pecados, o mínimo sacrifício.

autor:(M.B.)
Lendas do Céu e da Terra - Malba Tahan.